"E me mantive quieta e muda."

Eu não mando em mim

Estive pensando no que realmente vale passar e repassar em minha mente. Naquilo que não deveria por algum motivo tomar tanto tempo dos meus pensamentos. Que o que se passa aqui dentro não deveria de forma alguma ser constante e explícito. São pensamentos que sempre caem na direção de um certo ser. Ser esse que mal vejo, e que quando, raramente, acontece de nos esbarrar pelas ruas eu quase não olho nos seus olhos. Engraçado que a gente se perde quando nos vemos, quer dizer, EU me perco. Olhar no olho é um dos desafios mais distantes de superar. Até parece que serei crucificada se isso acontecer. Sinto-me ridícula primeiro por não conseguir olhar no olho dele, segundo por estar escrevendo sobre isso. Que boba! Quem lê? Volto e me perdoo por isso tudo porque li esses dias que "todas as cartas de amor são ridículas", e eu concordo, mas o que escrevo não é carta de amor e eu nunca o senti, não por completo.

Eu

Florbela Espanca

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…
Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Pra falar de coisa breve

Essa peça que o tempo prega de obrigar a nos prender em algo que não devia ser de certo obrigação.

Só somente só

O velho observando
Sentado, só
Eram meninos de pés descalços
E o velho
Talvez lembrava de seu tempo
Talvez queria jogar também
Talvez pensava em seu filho
Talvez pedia abrigo
Olhos fitado na bola
Será que o velho sabia?
Muleta posta

O sonho alheio


Impossível não se apaixonar pelos sonhos de outrém. Impossível também é não passar a sonhar a realização do sonho do outro.
É assim mesmo, meio bagunçado e lúdico, mas verdadeiro.
Hoje, 15 de Abril de 2011 será uma data nunca esquecida para Ivan Ribeiro, natural da Bahia e Poçoverdense por opção. Não somente dele, mas de todos que estavam presente e que se emocionaram a cada palavra, gesto e sorriso ali presenteados. Este dia significa, simples na palavra e complexo nos sentimentos, O LANÇAMENTO do tão SONHADO, PENSADO, RABISCADO, ESCRITO,
ELABORADO, REVISTO, RELIDO, RECOMPOSTO, CORRIGIDO livro 'PALAVRAS DE UM JOVEM POETA'. No intervalo de vinte e quatro horas do dia em questão várias pessoas estavam na correria, no "avexamento" dos segundos para que tudo exatamente as 19:30h estivesse pronto. Uns, quiçá, de juízo quente com tanta coisa: publicidade, convidados, recepção... Mas olha, vou subir no tamborete e falar pra todo mundo ouvir: DEU TUDO CERTO! MAIS QUE CERTO, FOI TUDO MUITO EMOCIONANTE. Melhor, VOCÊS CONSEGUIRAM! Eu posso representar alguns em comuns e dizer o quanto esse sonho de Ivan valeu, mais ainda na realização, porque durante o evento observei entre o público o entusiasmo, emoção, sensibilidade e FELICIDADE (em caps lock pra deixar claro que era bastante). Eu, por exemplo, viajei em outros planetas, me senti em território nunca explorado, e em mim habitei a devanear. Me arrepiei com alguns poemas declamados pelo autor, chorei com a sua emoção e sorri, sorri feito menina boba que acabara de ganhar um doce de sobremesa numa segunda. Esse é o poder da arte agregada a sensibilidade humana.

Não bastasse as palavras bem pensadas e declamadas, a música se fez presente de maneira tão dessemelhante que todos cantavam, e se olhavam uns aos outros como quem diziam: eu quero isso em demasia. Ivan acertou em cheio, convidou artistas da terra e foi mais encantador que o comum. Acertou tanto que algumas pessoas sairam dali com um turbilhão de ideias, digo isto porque sou uma delas. Saí de lá ofegante, com o coração cheio de esperanças. E eu estava precisando abastecer mesmo. Eu e a maioria que acompanharam esse evento.

A minha maior alegria é que tudo isso foi fabricado aqui, em terras de Santa Cruz, nossa querida Poço Verde. Mas que infelizmente carece de apoio e incentivo cultural. Com dificuldades ou não, a gente não desiste.

Me despeço com o Mário Quintana sussurrando no meu ouvido: ei, "sonhar é acordar-se para dentro".


P.S.: Mesmo em overdose não deixei de perceber a lua linda que estava nos assistindo.