"E me mantive quieta e muda."

Num arroto






“Escrever para não morrer... ou morrer” assim diria Lula de Zé Emídio em dias desagradáveis. Nesses de se desejar a própria inexistência, na qual me encontro apelando as letras por um pouco de alívio. Aproxima-se natal e ano novo, datas comemorativas, festivas, alegres que requer de nós um sorriso estampado no rosto. Mas, depois de algum tempo a gente começa a não se importar com certas datas, tais que não mais me brilham os olhos, talvez somente este ano. Não sei. Algo mim distancia dos sonhos, dos amigos, dos lugares... Assim procuro-me dentro de mim, não obtendo êxito. E tudo inicia-se próximo as datas, tudo aqui está desandando. Dúvidas, medos, erros... são os que nos levam gradativamente a crise existencial. Permito-me.
Um arrepio corre meu corpo para manisfestar-me: minha santa ignorância, meus minutos malditos de grosseria, voz alta, marcante e vibrante. As vezes sou monstro!
Se pudesse, me transportaria para um deserto onde pusesse a pensar incessantemente em tudo, horas e horas. Mas isso seria um deleite ao que mereço de fato. Preciso, aliás, necessito estar próxima as pessoas que maltratei, enxergar suas almas feridas por esse terrível monstro. Estou escassa de mim e preciso voltar a enxergar as datas como um novo recomeço.


... Morrer! Porque nada resta além de uma fé inquebrantável e absoluta, em que tudo se justifica, desde negar-se a si mesmo até à extenuação, ou morrer oferecido em sacrifício.

José Saramago

6 comentários:

Marcel Hartmann disse...

Acho que a gente só se emociona nessas datas de final de ano quando a gente é criança...

D i c a disse...

Arrependimento sempre surpe nas horas certas, é só dar o primeiro passo antes que o ano comece e você esqueça dessas pessoas que um dia você maltratou.

Priscila Rôde disse...

São só datas, Franci. Todo dia é dia. Busque em silêncio e aceite o que encontra, aceite feliz o que passou, não se maltrate!

Ps::. Adorei o José Saramago no final, ele me acompanha agorinha, agorinha..

Um beijo enorme.

Alan Félix disse...

O fim do ano é as vezes a voz da consciência clamando por renovação, que mudemos não apenas os dígitos escatologico da nossa hora, como o mundo do nosso tempo.

ana laura disse...

Oi Fran, quanto tempo. Esta data é assim mesmo, assustadora como olhar no espelho...olhar no passado, olhar os erros que ainda não consertamos.
Mas temos que re-editar os sentimentos e começar...simplesmente tu-do novamente.
Não desanime...temos muito o que ver, conhecer e sentir. Aguce o ofalto, o padalar e o tato....viva!

Buba. disse...

Engraçado, quando era criança sempre gostei de natal, mas atualmente gosto mais ainda.. Acho que é porque agora a minha família não se junta tanto quanto antigamente, e só no Natal que realmente fica todo mundo unido! Feliz 2010!