"E me mantive quieta e muda."

Monossilábica


Jorrar palavras para fora da boca traria paz. Falar de tudo e a todos das mazelas que faz um ser humano se sentir pequeno, inferior e sem sentido. Dizer o que traz a "não paz de espírito", ou o que impede de extravasar. Não, definitivamente as palavras ditas, arrancadas da parede do estômago e lançadas ao vento não é a melhor maneira de se sentir em paz. Ou é? Pode ser que se tenha esta dúvida. Mas, o ditado já diz tudo, em outros sentidos repito: "boca fechada não entra mosca."
Qual o problema em não dizer olá? Sabe, as vezes é tão importante silenciar. Deixar passar os cumprimentos não é o fim do mundo, e o fim do mundo nem chegará perto da imensidão que é o silêncio. Silenciar não quer dizer medo, raiva, mau humor; na verdade o silêncio não quer dizer muita coisa. Deixamos sem fala aquilo que é dispensável.
Passar alguns dias falando só o que é necessário é tão delicioso, o problema está no estereótipo que nos cerca; nos deveres do dia-a-dia: Em falar, falar, e falar. Palavras são imponentes, porém constituem uma porção de inutilidades. É comum ouvir: "Quem cala consente." Eu nunca concordei com isso, apesar de algumas vezes ter falado essa frase (todos são iguais, frases iguais também). Quem cala, só está calado; sem mais. Aprende-se isso com o passar do tempo. E nesse passar do tempo aprende-se também que o silêncio é extremamente importante na vida, nas pessoas.
Assim, um tanto monossilábica, ensaio um passo: deixe em paz meu coração, ele é agora, um punhado de silêncio.



E para melhorar o calar, escrevi ao som da banda australiana Silverchair.

6 comentários:

Priscila Rôde disse...

Ando me calando demais nessa vida. Tenho preguiça. Escrevo. E tá é bom demais desse jeito.

Um beijo, franci! ;)

Michele disse...

A-d-o-r-e-i teu Blog

Uma delícia. Passo a seguir.

Gostaria que conhecesse o meu:

blog da michele

http://michele-dos-santos.blogspot.com/

jefhcardoso disse...

Francimare, é mesmo nas oras reflexivas que nos superamos. O silêncio é a oficina do pensamento. Abraço!

http://jefhcardoso.blogspot.com (convido-te para ler novamente em meu blog)

Lourinaldo disse...

Metamorfoses dessa nossa vida, calar ou falar ês a questão...é melhor ouvir...ou não.
Um abraço, silencioso...ou não.

baruc disse...

Franci, seu texto é delicioso. Às vezes, fico perdido em suas palavras carinhosas e não sei se o que estou lendo é um desabafo ou uma obra de arte. Parabéns, você merece um livro.

Henrique disse...

Silêncio é bem relativo.
Calar-se, recolher-se difere de acomodar-se (?)