"E me mantive quieta e muda."

Fim e começo


Pode ser estranho essa ordem que encontrei para falar das coisas, das minhas coisas. É que elas, por serem minhas, assumem uma desordem desconsertante. Existem na forma mais bagunçada de resolver a minha vida. Creio que é uma forma que encontrei de serem somente minhas e inéditas, é isso. Pois bem, é que eu falei
demais, e quando isso acontece pode ser muito perigoso, mais ainda no que diz respeito a minha vida amorosa. Já é um tanto complicada e sem explicação, e lenta, sem muito festin, e quando dou na telha de falar com quem faz/fazia parte dela, já viu, é o fim.
É que essas coisas a gente não sabe bem o que fazer, duvido que exista alguém nesse mundo que sabe exatamente num ímpeto a palavra certa. Comigo ela só vem depois, e quando acontece de vir antes, talvez não era aquela palavra, seria melhor o sinônimo. Talvez não. E é assim que a gente fica em busca da palavra certa, ou melhor, da frase certa.


E não é que tem que ter a palavra certa, a frase certa e o diabo a quatro. O que acontece é que após falar alguma coisa num momento delicado você nunca sabe se a pessoa entendeu do jeito que você quis dizer. Aí você fica procurando palavras e mais palavras pra consertar o que nem tá desconsertado, e é nessa busca que você se ferra. Acaba falando demais, e se estrepa no seu próprio consciente que passa a ser inconsciente porque você nem sabe o que tá falando mais. Procura entender o que você quis dizer em contradição com o que a outra pessoa supostamente entendeu, então você já não entende mais nada e se sente frustrada. Eis a guerra dentro de você. Agora irá começar uma rotina adicionada a essa epopéia. Isso vai te consumir o juízo, e você vai sofrer e a partir daí não vai querer falar absolutamente nada: crise existencial. 


O começo vem no ordenamento dos fatos, no descobrimento de que a pessoa entendeu mesmo o que você queria falar. Que você não precisava se preocupar tanto que está tudo certo. E isso não é mais tão importante porque você já se preocupou e envelheceu 10 anos. Dentro desses 10 anos você amadureceu 50, e descobriu que certas coisas são importantes. A desordem das coisas, a arrumação, o que você pensa de tudo e o que deseja falar. E que não importa se não te entenderam, e sim que você entendeu. E que você se sente bem com você mesma. O resto é fichinha. 

"Libera e joga tudo pro ar." 


7 comentários:

Lourinaldo disse...

Alguém falou, nem sei quem foi, que "A palavra é como a flecha, depois que é solta não retorna ao arco.", mas não podemos ficar nos auto vigiando, perseguindo nosso consciente, enconsciente...a mente, em busca da palavra certa, na hora certa ou incerta...
rsrsrs..e precisamos de tão pouco pra ser feliz. Eta! viajei...rsrsr

Lourinaldo disse...

digo: inconsciente

Priscila Rôde disse...

Sabe, eu cansei de procurar as certezas no meio de tantas coisas incertas. Não sei mais procurar a palavra/frase/fase certa, nem sei o que fazer com ela quando chegar, provavelmente será tarde. Porque depois é sempre tarde. Eu só quero o que me decifra agora, o que me basta, o que pulsa. Sem fim nem começo. Estou conhecendo os meios.

Um beijo, Franci! A tua volta me alegra!

Camila Lourenço disse...

Menina
Será que por acaso você é geminiana?
Ou então,talvez eu tenha que lhe informar que sua alma tem uma irmã gêmea com as mesmas crises existenciais aqui em Goiânia.

Perfeito seu texto...suuuuper me identifiquei. E quer saber? Vou jogar tudo pro ar agora...cansei de ficar me preocupando com o que eu deveria ou não ter dito,feito,pensado. A gente não tem o controle de tudo nas mãos e se falamos,agimos do jeito como fizemos,vai ver que era pra ser exatamente assim!
Beijo!

Rafaelle Melo. disse...

Ler seu texto só me confirmou que as palavras unem, segregam ideais de pessoas distantes, quem sabe tão diferentes, mas há algo intercessor, que une.

Me uno a seu texto, jogo tudo para o ar junto com você e gritemos nossa liberdade da incompreensão que liberta!


Beijo!

Brito... disse...

Conhecendo seu blog, gostei. Já seguindo. Abraço.

ocafofodobrito.blogspot.com

Ana Luisa Pacheco disse...

muito obrigada pelo retorno, sério fico absurdamente feliz.
beeeijo