"E me mantive quieta e muda."

Inconstância



Na solidão eu me conheço. Sei do que quero e do que espero da vida. Nos espaços vagos desta casa descubro as almas líquidas que carrego em mim. Se mudo constantemente não externo, as pessoas não admitem. Retrocesso. Procuro por aqui uma parte do meu inconsciente perdido. As ruínas que são meus desejos dissolvidos no café da manhã estão escondidas dentro do meu guarda-roupa bagunçado. Não sei se vivo ou simplesmente permaneço nesse berço a míngua. As vidas que estão por vir serão almejadas por esta incrédula imortal. A eternidade faz cócegas no céu da boca. Estendo a mão para esmolas: devaneios, sonhos com recheio de goiabada e café. O meu mundo não existe para os outros ou cada um possui o seu mundo. Há quem prefira viver no mundo do outro, sendo esmagado pelo espaço inconveniente que ocupa. Desconheço a possibilidade de ser eu em mim mesma.
Não quero ser compreendida pela maioria, a complexidade que é a subjetividade recusa. Mas se um dia isso acontecer ficarei perplexa, desolada e extremamente perturbada. Aí sim não serei mais eu.

Um comentário:

Lourinaldo disse...

Tem um pensamento do Dalai Lama que diz:"Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar". Tá na hora de experimentar os primeiros vôos...ou não.